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Camada de Ozônio
(Por Ricardo Daher - Secretário Executivo do PNUMA )
Antes de se falar da camada de ozônio, é preciso que
se conheça um pouco sobre a atmosfera terrestre. Ela é
formada basicamente por quatro camadas principais denominadas Termosfera,
Mesosfera, Estratosfera, e a Troposfera, que é camada próxima
a superfície terrestre, estendendo-se até aproximadamente
16 Km de altitude no equador, e 10 Km nos polos. É onde vivem
todos os seres vivos do planeta, e acontecem os fenômenos
meteorológicos.
A camada de ozônio se localiza em uma faixa que vai dos 20
aos 34 Km de altitude no equador e 14 aos 30 Km de altitude sobre
os polos, na Estratosfera. É nesta faixa que se formam as
condições adequadas para a formação
do ozônio, que são a forte incidência de raios
ultravioletas e moléculas de oxigênio. Acima desta
faixa há bastante incidência de raios ultravioletas,
porém pouco oxigênio, e abaixo, ocorre justamente o
contrário. É bom lembrar que a formação
de ozônio próximo a população, é
altamente prejudicial à saúde, já que o mesmo
é extremamente oxidante (corrosivo).
De uma forma geral, a formação do ozônio se
dá quando os raios ultravioletas C ( UV-C) atingem uma molécula
de oxigênio (O2), dividindo-as em dois átomos de oxigênio
- O e O. Estes, separados, se juntam rapidamente a outras moléculas
de oxigênio (O2), formando o ozônio (O3). Depois de
formado, o ozônio absorve a luz ultravioleta, sobretudo o
UV-B, se quebrando novamente, quando, então, volta-se a ter
oxigênio (O2) e um átomo de oxigênio (O). E finalmente,
quando uma molécula de ozônio (O3) encontra-se com
o átomo de oxigênio (O), formam-se, outra vez, duas
moléculas estáveis de oxigênio (O2). Estes são
processos constantes e ininterruptos, e que garantem a vida na Terra
ao filtrar os raios ultravioletas C (totalmente) e B (parcialmente).
De acordo com a hipótese mais aceita atualmente, a destruição
da camada de ozônio se dá, quando as moléculas
de clorofluorcarbonos, halons e outros produtos químicos
(CFC-11 e CFC-12 principalmente) chegam à Estratosfera e
são quebradas pelos raios ultravioletas, liberando átomos
de cloro (Cl), em um processo tão eficiente, que 1 átomo
de cloro (Cl) é capaz de destruir 100.000 moléculas
de ozônio (O3). No entanto, a Estratosfera possui uma autoproteção
muito forte. O cloro (Cl) e o bromo (Br), quando se combinam com
o dióxido de nitrogênio (NO2) e o metano (CH4), formam
compostos que não podem destruir a camada de ozônio.
Porém, esses compostos podem, após determinado tempo,
liberar novamente átomos de cloro (Cl) e bromo (Br), que
voltam a atacar o ozônio, ou desaparecem em definitivo da
Estratosfera.
Quanto aos impactos ambientais causados pela destruição
da camada de ozônio, especula-se que na Antártida,
o aumento da incidência do ultravioleta B (UV-B) pode lesar
estruturas biológicas como o DNA, e o sistema fotossintético
dos vegetais. O fitoplâncton, que é a base da cadeia
alimentar, é muito sensível a radiação
ultravioleta, e este afetado, assim como as bactérias marinhas,
que alimentam o zooplâncton, comprometeria todo o equilíbrio
do ecossistema da região. No Brasil, a destruição
da camada de ozônio afetaria as colheitas agrícolas,
tais como as de soja e algodão, e danificaria os sistemas
aquáticos (recifes de corais, etc.), além dos já
mencionados fitoplâncton, zooplâncton e, também,
peixes jovens, afetando as atividades pesqueiras. A saúde
da população poderia ser afetada através do
aumento de casos de câncer de pele, catarata e distúrbios
imunológicos.
Para tentar sanar este problema global, diversos países,
inclusive o Brasil, assinaram o Protocolo de Montreal, onde todos
se comprometeram em reduzir e deixarem de produzir e consumir os
CFCs, em um determinado prazo pré-estipulado. Os países
desenvolvidos já não produzem CFCs desde 1996, e os
países em desenvolvimento vão parar de produzí-los
em 2010*.
* Fontes:
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Araújo, Marcos Antônio Reis. O que é
a destruição da Camada de Ozônio. Como
o Brasil pode ser afetado. Coleção Cara Pintada
de Educação Ambiental. Serro: CMDS, 1993.
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