IZEUSSE DIAS BRAGA JUNIOR
A atuação com responsabilidade social e ambiental, discutida hoje em todo o mundo, não é novidade para a Petrobras. Quando detinha o monopólio do petróleo no Brasil, já era responsável nesses âmbitos. Fazia chegar seus produtos com os menores custos à sociedade brasileira. Repassava ganhos de produtividade obtidos graças a sua capacitação tecnológica aos clientes. Além disso, pagava dividendos sociais aos brasileiros, patrocinando projetos ambientais, culturais e esportivos nas áreas de influência de suas operações, bem como a construção e a reforma de escolas e seu aparelhamento.
Nos tempos de abertura de mercado, estruturou programas sociais e ambientais focados em necessidades da sociedade brasileira. E passou a convidar especialistas de todo o país para, em seleções públicas transparentes, auxiliarem-na a escolher projetos para patrocinar. A estruturação de programas com enfoque específico evitaria patrocínios não criteriosos e falta de sintonia com objetivos estratégicos. Além disso, negociadas as ações da companhia em bolsas de valores internacionais, investidores estrangeiros cientes das questões globais valorizariam mais os papéis de empresas-cidadãs.
Empresa-Cidadã
No caso de muitos projetos patrocinados pela Petrobras, predadores da natureza viraram seus protetores. O Projeto Tamar, de preservação de tartarugas marinhas, é um exemplo. Ex-caçadores de tartaruga localizam seus ovos hoje, para que possam ser protegidos até eclodirem. Mais de 9 milhões de tartaruguinhas já foram soltas no mar.
Com a expansão da atuação da Petrobras no exterior, no upstream, que pressupõe transações entre empresas, e depois no downstream, em que as relações são entre empresas e consumidores, o diálogo com esse público se fez mais necessário. Procurou-se aumentar a percepção mundial sobre o compromisso da companhia com questões sociais e ambientais, o que foi e tem sido feito.
Na reunião do Fórum Econômico Mundial de 1999, na Suíça, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, propôs um Pacto Global a empresas de todo o mundo para ajudarem a solucionar problemas sociais e ambientais. Cada uma contribuiria em sua área de influência. Assim, em 2003, a Petrobras aderiu ao pacto, entendendo que empresas podem melhorar a vida dos menos favorecidos. Basta criarem condições para que eles tenham acesso a mercados consumidores de água, comida, moradia, educação e saúde, como também a produtos e serviços de empresas, sendo inseridos na economia formal.
Com essa mentalidade, a Petrobras integrou o Dow Jones Sustainability World Index, de 2006 a 2007 e de 2007 a 2008, e abriu perspectivas para captar recursos de fundos de investimentos internacionais responsáveis. Ciente de que não basta cumprir leis, vai além. De forma estruturada, muda paradigmas sociais e ambientais. Iniciativa nessa linha é o Programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras.
Por seleção pública, serão escolhidos projetos que gerem renda e oportunidade de trabalho, promovam a educação para a qualificação profissional e garantam os direitos de crianças e adolescentes. O investimento da Petrobras será de R$ 1,2 bilhão, de 2008 a 2012. Cerca de 45 milhões de pessoas serão atendidas, direta ou indiretamente. As diretrizes serão priorizar a juventude; buscar resultados sustentáveis; manter sinergia com políticas públicas; implementar ações estratégicas, sistêmicas e multiinstitucionais; estimular o protagonismo social, a co-responsabilidade, o associativismo, o cooperativismo e o trabalho em rede; contribuir para erradicar o analfabetismo; e levar desenvolvimento às áreas de influência do Sistema Petrobras.
Paralelamente, a Petrobras se empenha em tornar questões ambientais e sociais parte do seu negócio. No caso dos biocombustíveis, compra de produtores rurais a produção e mescla à de refinarias próprias. Assim, fixa o homem à terra e gera renda para seu sustento, promovendo inserção social, e preserva o meio ambiente ao produzir combustíveis mais limpos.
Liderança Globalmente Responsável
Tal trabalho precisa ser conduzido por líderes globalmente responsáveis, que aliem questões sociais e ambientais a seu negócio sem comprometer a rentabilidade. Com esse fim, 1.200 empresas e 350 escolas de negócio foram convidadas a integrar um processo seletivo para, no âmbito da ONU, participar da inédita Iniciativa da Liderança Globalmente Responsável. Os selecionados, unindo teoria e prática, sob a coordenação da European Foundation for Management Development (EFMD), desenvolveriam uma metodologia de formação desses líderes. Também discutiriam como atrair e reter talentos, gerenciar riscos mediante diálogo com atores relevantes, transformar desafios sociais e ambientais em oportunidades de negócios, resguardar valores e reputação por meio da responsabilidade social pró-ativa, gerar valor pelo bom desempenho social e ambiental.
Foram selecionadas sete empresas - Petrobras (Brasil), Aviva (Reino Unido), Barloworld (África do Sul), Caisse d'Epargne e Lafarge (França), IBM (EUA) e Telefónica (Espanha) - e 14 escolas de negócio - Bordeaux Business School, Essec e Insead (França), China-Europe International Business School (China), Fundação Dom Cabral (Brasil), Iese e Instituto de Empresa (Espanha), London Business School e Oasis School of Human Relations (Reino Unido), Pepperdine University (EUA), Queen's University, School of Business (Canadá), Responsible Business Initiative e University of Management and Technology (Paquistão) e University of South Africa, Corporate Citizenship Center (África do Sul).
Organizaram-se seis reuniões presenciais, uma no Brasil. No país, no bairro da Maré, no Rio de Janeiro, perto do centro de P&D da Petrobras, viu-se o contraste entre precárias condições de vida da comunidade e a vanguarda tecnológica, desafio para líderes do futuro. Já na província petrolífera de Urucu, operada pela Petrobras na Amazônia, viu-se como se produz petróleo e gás em um santuário ecológico e se mantém excelência em SMS e ampla integração com comunidades locais.
O relatório final foi entregue em 2005 a Kofi Annan. Lido o documento, o Escritório do Pacto Global e a EFMD convidaram a Petrobras, por meio de sua universidade corporativa, a formular o projeto-piloto de aplicação da nova metodologia, adaptada a gerentes junto com a EFMD e a Fundação Dom Cabral. Consolidada, a metodologia será disseminada a executivos da Petrobras no Brasil e no exterior e posta à disposição de empresas e escolas de negócio de todo o mundo. Mais uma vez, a Petrobras terá contribuído para construir um futuro melhor para as próximas gerações. Mais detalhes: www.globallyresponsibleleaders.net
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