Mudança Climática Acelera a Destruição Amazônica

PNUMA

Mudança climática e desflorestamento podem destruir ou danificar severamente a Amazônia.

 

06 de dezembro de 2007, Bali, Indonésia,

Um ciclo vicioso de mudança climática e desflorestamento pode por fim ou danificar severamente quase 60% da floresta Amazônica até 2030, segundo afirma a WWF.

O relatório do WWF, Os Ciclos Viciosos da Amazônia: Seca e Incêndio na Casa Verde (The Amazon´s Vicious Cycles: Drought and Fire in the Greenhouse), revela as dramáticas conseqüências para o clima local e global, assim como os impactos nas expectativas de vida das populações da América do Sul.

De agora até 2030, o desflorestamento amazônico pode liberar entre 55.5 e 96.9 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera. O número limite é superior a dois anos de emissões de gases estufa. Ademais, a destruição da Amazônia também representa a destruição de um dos estabilizadores essenciais do sistema climático global.

"A importância da floresta amazônica para o clima global não pode ser subestimada", afirmou Dan Nepstad, cientista sênior do Woods Hole Research Center e autor do relatório.

"Não é apenas essencial para o resfriamento da temperatura mundial, mas é também tal recurso de água potável que pode ser suficiente para influenciar algumas das maiores correntes oceânicas, e acima de tudo é um amplo armazém de carbono".

As tendências atuais em agricultura e expansão de criação de animais, incêndios, secas e madeireiras podem acabar ou danificar severamente 55% da floresta tropical amazônica até 2030. Se, como antecipado pelos cientistas, 10% das chuvas declinarem no futuro, então um adicional de 4% da floresta será danificado pela seca.

O aquecimento global provavelmente reduzirá as chuvas na Amazônia em mais de 20%, especialmente na Amazônia Ocidental, e as temperaturas locais subirão mais de 2˚C, e talvez até 8˚C, durante a segunda metade do século.

Com o aprofundamento da destruição da floresta amazônica, antecipam-se menos chuvas na Índia e na América Central, assim como chuvas nas estações de crescimento dos cinturões de grãos nos EUA e no Brasil.

Estratégias para cessar o desflorestamento na Amazônia incluem minimizar os impactos negativos da criação de gado e projetos de infra-estrutura para expandir rapidamente a rede existente de áreas protegidas.

"Nós ainda podemos parar a destruição da Amazônia, mas nós precisamos do apoio dos países ricos", afirmou Karen Suassuna, analista da mudança climática na WWF-Brasil. "Nosso sucesso em proteger a Amazônia depende da rapidez dos países ricos em reduzir suas emissões que danificam o clima a fim de desacelerar o aquecimento global".

A mudança climática está iniciando e acelerando o ciclo vicioso. Hoje, carbono liberado desde conversão florestal até pastos de gado e agricultura na Amazônia brasileira está vazando para a atmosfera segundo a taxa de 0.2 ou 0.3 bulhões de toneladas por ano. Esse número pode dobrar quando severas secas elevarem os incêndios florestais. Emissões de todos os países amazônicos serão prejudicadas.

"O acordo climático que sucederá o Protocolo de Quioto deve incluir medidas para reduzir emissões de florestas", afirmou Hans Verolme, diretor do Programa para Mudança Climática Global da WWF (WWF´s Global Climate Change Programme).

"Uma falha na proteção da floresta Amazônica não será apenas um desastre para milhões de pessoas que vivem na região amazônica, mas também para a estabilidade do clima mundial".



 

 

 

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