Discurso de Achim Steiner ao Plenário da UNFCCC

PNUMA

Bali, Indonésia, 12 de dezembro de 2007,

Sr. Secretário-Geral, Honoráveis Presidentes e Primeiros Ministros, Secretário Executivo da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), Chefes de Agências e órgãos da ONU, senhoras e senhores, caros colegas e amigos,

Em 2007 a mudança climática foi entendida como um fenômeno de mudança ambiental com profundas implicações econômicas, sociais e até de segurança.

Os relatórios do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), estabelecido pelo PNUMA e pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) em 1998, transformaram a paisagem científica e política neste ano e para sempre.

Estamos enfrentando um desafio de escala e ritmo extraordinários.

Mas o IPCC ressalta que nós estamos presenciando também uma enorme oportunidade se pudermos alcançá-la.

A oportunidade que se apresenta é de nos movermos na direção de padrões de consumo e produção mais inteligentes e sustentáveis.

Toda geração tem seu desafio – este, a mudança climática, é o nosso.

Há dez anos governos adotaram o Protocolo de Quioto. Foi um momento de enorme celebração e otimismo.

Pode-se dizer que nestes dez anos desenvolveram-se estruturas, mecanismos e instrumentos de mercado criativos, mas permanece um abismo entre promessas e realidade.

De fato nós agora nos defrontamos com avaliações de impacto nunca dantes tão sóbrias – que podem se concretizar num espaço de tempo mais curto e rápido como não poderia ser imaginado há poucos anos atrás.

É uma realidade científica, que há demandas por comprometimento político, responsabilidade e urgência maiores do que as que previmos nos últimos 12 meses.

A ONU se une em torno do desafio entregue ao novo Secretário-Geral.

Coletivamente a ONU se engajou, em favor de seus Estados Membros, na assistência para a realização do que pode ser o regime de reduções de emissões pós 2012, regime este que deve refletir as responsabilidades e as oportunidades que se desdobram.

A ONU não está sozinha.
Um dos desenvolvimentos definidores dos anos e meses recentes é a taxa segundo a qual cidades, companhias e cidadãos também demandam soluções e chances de maximizar oportunidades para transitarem para um mundo com baixas emissões de carbono.

Na última meia hora, Costa Rica, Nova Zelândia e Noruega reafirmaram publicamente seus compromissos com a neutralidade climática.

Países da Europa e Ásia, das Américas do Norte e Latina e da África, do Caribe e do Pacífico se uniram àqueles países sob a compreensão do Princípio do Rio de Responsabilidades Comuns, porém Diferenciadas.

Contudo, ressaltam-se as responsabilidades:

  • O sistema multilateral está certamente tentando atender as suas responsabilidades de apoiar os países membros e estabelecer uma plataforma de consenso e uma maior conscientização pública sobre a mudança climática;
  • Apoio via ciência imparcial e validável e tendo em vista avaliações econômicas do IPCC;
  • Evento de alto nível do Secretário-Geral no qual chefes de Estado se comprometam a encontrar soluções para a mudança climática;
  • Construção de confiança entre governos como a aceleração da eliminação de HCFCs sob o Protocolo de Montreal.

Nós continuaremos a apoiar os Estados Membros em Bali e além:

  • Em colaboração com a UNFCCC, nós temos construído a capacidade de negociação em países em desenvolvimento e isto continuará;
  • Através do PNUMA e de programas de adaptação ou de economias “a prova do clima”, nós focaremos e refinaremos os últimos conhecimentos científicos do IPCC para viabilizar as muito necessárias avaliações de impactos em nível regional e nacional.
  • Ecossistemas serão cruciais num mundo desafiado climaticamente. O PNUMA continuará não apenas a criar compreensão, mas também a assistir na transferência de tecnologia “leve” (soft) sobre gerenciamento eficiente de ecossistemas;
  • Nós continuaremos a inventar e definir mecanismos inteligentes de mercado para alcançar o desafio de energia sustentável;
  • Nós precisamos progredir mesmo enquanto as negociações se encontram em andamento e as conclusões a serem tomadas;
  • O PNUMA levará em frente suas parcerias com alto financiamento e investimentos em comunidades a fim de acelerar a transição para uma economia mais benéfica ao clima e também mais rentável;
  • Nós aceleraremos a implementação do Plano Estratégico de Bali sobre Apoio Tecnológico e Construção de Capacidade;
  • Sob a estrutura de Nairóbi da ONU, PNUMA e PNUD já estão assistindo países em desenvolvimento a ganhar maior acesso ao mercado de carbono.
  • Ministros em países em desenvolvimento precisam de conselhos rápidos e confiáveis desde infra-estruturas “a prova do clima” à agricultura e saúde. Nós também estamos desenvolvendo este serviço.

Senhoras e senhores,

Os olhos e ouvidos de 6.5 bilhões de pessoas se encontram nesta reunião através da mídia moderna.

Na última conferência do clima, passada em Nairóbi, o PNUMA e o Centro Agroflorestal Mundial (World Agroforestry Center) – sob patrocínio de Wangari Maathai e do Príncipe Alberto de Mônaco – lançaram a Campanha por um Bilhão de Árvores.

Mais de 1.5 bilhões de árvores foram plantadas. Esta semana a Indonésia, sozinha, plantou 80 milhões de árvores, prova de que se nós fornecermos uma plataforma de ação ao público, negócios e até mesmo ao governo, eles seguirão.

Eu sinceramente acredito que nós nos encontramos num jogo final de criar um estágio ainda maior.

Um por vez, governos, comunidades e corporações são liberados para usar sua ingenuidade e empreendedorismo a fim de viabilizar um mundo com baixas emissões de carbono e “a prova” do clima.

Dessa forma nós poderemos finalmente controlar os padrões insustentáveis de produção e consumo do passado.

Dessa forma nós soltaremos a melhor e maior commodity deste planeta: a ingenuidade humana.

Através destas ações nós poderemos mudar a forma como fazemos negócios nesse planeta e não apenas lidaremos com o desafio da mudança climática, mas trataremos também das questões mais amplas de sustentabilidade que confrontam a atual e as futuras gerações.

A ciência, mas também cada vez mais a experiência diária de milhões de pessoas, nos testemunha que a mudança climática é uma realidade, mas também é uma oportunidade que nós não podemos falhar em aproveitar.

Então porque não aproveita-la agora? E se não aqui, onde? Se não agora, quando?


 

 

 

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