PNUMA
Não só o planeta e as comunidades vulneráveis se beneficiarão das decisões ambiciosas de Bali. Empregos serão criados em todo o mundo.
Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e diretor executivo do PNUMA– The Guardian, 5 de dezembro de 2007.
Ministros de mais de 180 países se encontram em Bali esta semana para o que talvez seja a rodada mais crucial de discussões de discussões sobre as mudanças climáticas. Tais discussões centram-se em impactos, adaptações e na urgente necessidade de um regime após 2012 para reduzir emissões. O papel das florestas, dos mercados de carbono e da necessidade de financiar a transferência de tecnologia limpa e verde do norte para o sul também estão em alta na agenda.
Se os governos cumprirem todas as suas responsabilidades, comunidades vulneráveis de Bangladesh a Barbados terão motivo para celebrar. Isso também significará uma transição para uma sociedade com baixa emissão de carbono, novas indústrias e uma forma diferente de fazer negócios neste planeta, o que significa empregos.
O potencial de empregos gerado pelo combate à mudança climática só agora está entrando em discussão. Não são apenas trabalhos para a classe média, eles incluem também diversos trabalhos que vão de construção e agricultura à engenharia e transportes.
Um estudo do Management Information Services, nos EUA, estimou que em 2005 a indústria ambiental gerou, nos EUA, mais de 5.3 milhões empregos, mais de 340 bilhões de dólares em vendas e 47 bilhões em impostos, além de empregar 10 vezes mais trabalhadores do que na indústria farmacêutica. Em junho deste ano, ações da Eaga, que faz melhorias na eficiência energética das casas do Reino Unido (RU), flutuaram no mercado de ações de Londres. Ela emprega mais de 4000 pessoas em uma das antigas regiões mineradoras do RU.
O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), iniciativas de financiamento de energia sustentável, estima que investimento em fontes renováveis alcançou 110 bilhões de dólares, e que agora representa 18% dos novos investimentos no setor de energia.
A nova tecnologia de conversão de energia eólica, cuja propriedade pertence a companhia indiana Suzlon, foi utilizada na construção de uma fábrica em Tianjin, China, onde serão empregadas 600 pessoas. Ela está sendo usada também na construção de outra indústrias em Coimbatore, Tamil Nadu, onde serão criados 800 empregos. Em Nova Déli, estão sendo “introduzidos ônibus amigos do ambiente” movidos à gás natural comprimido, que criarão mais de 18.000 empregos.
Emprego direto na área de turismo no Quênia – principalmente focado em vida selvagem, parques nacionais e paisagens – gira em torno de 200.000 funcionários. Estima-se que o impacto mais amplo na economia e empregos seja muito maior.
Cerca de 80% dos jovens entrevistados para uma pesquisa nos EUA demonstraram-se interessados em empregos que tenham impactos positivos no meio ambiente, e mais de 90% afirmaram que escolheriam trabalhar em firmas social e ambientalmente responsáveis. Uma pesquisa no Brasil, China, Alemanha, Índia, RU e EUA descobriu que trabalhadores que vêem suas companhias como socialmente responsáveis ficam mais contentes e mais propensos a continuar no mesmo emprego.
Roland Berger, consultor em Munique, estima que na Alemanha em 2020 mais pessoas estarão empregadas em indústria com tecnologia ambiental do que em indústrias automobilísticas. Working Capital, um relatório financeiro do PNUMA, afirma que o mercado que financiamento para energia limpa e renovável pode atingir 1,9 trilhões de dólares até 2020.
Um relatório de uma das maiores firmas do mundo conclui que, em situações chave, a comunidade investidora tem a responsabilidade legal de incorporar questões ambientais, sociais e de governança (ESG) em suas decisões de investimento. Além disso, uma reunião do PNUMA este ano no Brasil concluiu que tanto investidores institucionais quanto indivíduos de alto valor agregado nessa rede estão progressivamente percebendo a importância da inclusão das ESG em investimentos de longo prazo.
O mecanismo de desenvolvimento limpo de Quioto poderia enviar 100 bilhões de dólares do norte para o sul para investimentos em projetos de compensações de carbono, como esquemas de energia renovável e plantações de árvores. Uma aliança de países com florestas tropicais vem pressionando para que as florestas existentes sejam incluídas nos mercados de carbono, o que poderia gerar empregos em conservação e turismo. Ademais, muitos países, incluindo Costa Rica, Noruega e Nova Zelândia, penhoram neutralidade de carbono, o que também criará muitos empregos.
Numa perspectiva mais ampla, outros mecanismos de mercado criativos estão emergindo, como pagamento para serviços de ecossistema: empresas energéticas com estações hidroelétricas pagam fazendeiros e comunidades para manterem florestas e solos em suas redondezas na Costa Rica e no Quênia, por exemplo. Com a troca de débitos ambientais, países conseguem cancelar dívidas e algumas economias são investidas na conservação e reabilitação de ecossistemas degradados.
Mais de 20 estados e em torno de 300 cidades nos EUA adotaram padrões de energia renovável e/ou metas de redução de emissões, alinhando-se com o Protocolo de Quioto.
Na última semana, a Comissão para Desenvolvimento Nacional e Reforma e o ministro de comércio da China anunciaram proibições e restrições de investimentos estrangeiros em mineração e alguns outros setores energéticos.
Em outro relatório recente, o economista norte-americano Roger Bezdek conclui que, com os incentivos governamentais corretos e investimentos em pesquisa e desenvolvimento, energia renovável e eficiência energética, indústrias podem criar 40 milhões de empregos nos EUA até 2030.
Claramente nós nos encontramos a beira de um momento muito interessante e com potencial transformador. Se Bali conseguir manter o “momento” de 2007, há todos os motivos para que os desempregados desde Merseyside até Mumbai, Birmingham até Bangkok fiquem otimistas.
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