A ABNT renovada

PEDRO BUZATTO COSTA

"Nos últimos anos, a organização levou muito
a sério a expressão 'por a casa em ordem'.
Restabeleceu as finanças, promoveu reformas
administrativas, resgatou sua identidade e
retomou o prestígio dentro e fora do Brasil"

Desde sua criação, em 28 de setembro de 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem buscado estar em sintonia com o que acontece no mundo, articulando a participação do Brasil nos organismos internacionais de normalização.

Em 1947, a ABNT estava entre as instituições representantes de 25 países que fundaram a ISO. Também ajudou a criar a Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (Copant) e a Associação Mercosul de Normalização (AMN), e é membro da IEC desde sua fundação.

Inúmeras conquistas foram obtidas nestes quase 67 anos de existência, tanto em termos de consolidação do papel da ABNT no que se refere à normalização nacional, quanto em nossa participação nas organizações internacionais de normalização, na defesa dos melhores interesses de nosso país no cenário global.

Para que se tenha uma idéia, a ABNT conta hoje com 58 comitês técnicos voltados para a elaboração de normas nos mais diferentes campos de atuação, dispondo de um acervo de cerca de 9.600 normas. E muitos desses comitês participam ativamente também nos comitês técnicos da ISO e da IEC.

Entretanto, no Brasil, como na maioria dos países em desenvolvimento, os benefícios da normalização ainda não são imediatamente aparentes. Os empresários não podem esquecer que as normas os protegem e a certificação os garante, porém só existe certificação quando há normas e, se são necessárias normas, estas devem refletir as melhores práticas existentes. Também para os consumidores as normas são importantes instrumentos para a sua proteção.

Estes fatores evidenciam a importância de uma nação contar com um Organismo Nacional de Normalização em condições adequadas para representar os interesses da indústria e da sociedade em geral. É essencial tomar parte ativa dos trabalhos da ISO, à luz de uma visão estratégica de coordenação de esforços e suporte adequado.

Para enfrentar esta realidade, a ABNT implementou uma profunda reestruturação de suas práticas e processos, tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro. Desde que assumimos a administração da organização, perseguimos como objetivo central o saneamento financeiro da entidade e já alcançamos a tão almejada virada, que nos colocou em melhores condições de desempenhar o papel a que a ABNT se destina. Vencida esta fase, nossos esforços concentram- se agora na sustentabilidade para um novo modelo de gestão.

Em 2005, pudemos, finalmente, resgatar a identidade da ABNT, com a inauguração de amplas instalações em São Paulo, no bairro de Higienópolis. Até então, ocupávamos um espaço cedido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas e, trabalhando arduamente, pudemos alicerçar o caminho para a independência.

A ABNT tem 58 comitês técnicos voltados à elaboração de normas dos mais diferentes campos de
atuação

Visando a um melhor relacionamento com nosso público, implantamos em 2006 o ABNTNET, um serviço desenvolvido com os mais avançados recursos tecnológicos e que proporcionou maior agilidade ao processo de consulta e aquisição de normas Seus principais benefícios são: acesso unificado ao acervo de normas técnicas da empresa; gerenciamento das normas (controle de atualização, quem acessou, quanto acessos) por relatórios gerenciais; acesso em qualquer lugar; manter a coleção de normas sempre atualizada; rapidez e segurança no acesso à informação; redução de custo, porque não requer investimento em infra-estrutura; e facilidade e praticidade de uso. Funcional, o serviço fornece informação em tempo real, via internet (www.abntnet.com.br).

No que se refere a nossa atuação na normalização, decidimos deixar de lado a usual atitude reativa nas nossas relações com a sociedade, substituindo-a por uma posição pró-ativa, buscando nos antecipar às necessidades por normas, sejam elas nacionais ou internacionais, além de promover uma participação consistente do Brasil nos foros internacionais de normalização.

Como exemplo, lembro a nossa atuação nos Comitês Técnicos da ISO voltados para a elaboração de normas de sistemas de gestão. No primeiro deles que foi criado, o TC -176, que trata de Sistemas de Gestão da Qualidade, demoramos a perceber que o trem estava passando e pegamos o comboio andando, o que exigiu um esforço muito maior para entrar e passar para os primeiros vagões. No TC 207, que trata de normas de Sistemas de Gestão Ambiental, estávamos mais atentos e pegamos o trem ainda na plataforma de embarque. Assim pudemos estar desde o início nos primeiros vagões e exercer algumas posições secundárias de liderança.

Hoje, trabalhando com o conceito da pró-atividade, vislumbrando desde cedo a oportunidade que se apresenta, estamos atuando na montagem dos trilhos por onde passará o trem da Norma Internacional de Responsabilidade Social, a futura ISO 26000. Graças aos esforços da sociedade brasileira, organizada sob a coordenação da ABNT, somos maquinistas deste trem e, em parceria com a Suécia, estamos desempenhando as funções de secretaria e presidência do Grupo da ISO de Responsabilidade Social, exercendo dessa forma muito maior poder de influenciar os rumos que esta nova e importante norma internacional irá tomar.

Como resultado dos esforços que estamos empreendendo, temos um representante no Conselho Superior da ISO. Estamos representados também em diversos foros de discussão estratégica e política daquele organismo internacional. Nosso Comitê Brasileiro da Qualidade, o ABNT/CB 25, participa do ISO TC 176, responsável pela série de normas ISO 9000 sobre gestão da qualidade. Também o ABNT CBPedro Buzatto Costa é presidente do Conselho Deliberativo da ABNT desde 2002 38, de Gestão Ambiental, vem atuando fortemente no ISO TC 207, encarregado da família de normas ISO 14000.

Em 2006, a ABNT foi escolhida para ocupar a Secretaria do Comitê Técnico de Alimentos (ISO TC 34), também no sistema de twinning que vem sendo adotado pela organização para somar competências de um país desenvolvido e outro em desenvolvimento.

Desta vez, a parceria é com a Associação Francesa de Normalização (AFNOR). A ABNT já vinha também ocupando a secretaria do Subcomitê do Café, presidido pela Itália. Por meio do ABNT/CB-03 - Eletricidade, nossa organização conseguiu ainda no ano passado um feito inédito: foi eleita para participar da Diretoria de Avaliação da Conformidade da International Electrotechnical Commission (CAB/IEC).

Entretanto, temos uma clara percepção de que a ABNT ainda é pequena em relação à economia do país e que deve haver uma mobilização geral e um trabalho contínuo de conscientização para que nossa organização cresça e aumente a participação do Brasil na normalização internacional. Muito já foi feito por esta administração, com o apoio dos conselhos (Deliberativo, Fiscal e Técnico).

Mas ainda há muito a fazer, como consolidar as mudanças e ampliar a nossa atuação. Sabemos que, com planejamento, trabalho e apoio adequado, é possível levar nosso país a um patamar mais compatível com sua importância no cenário internacional, defendendo dessa forma os melhores interesses de nossa indústria e contribuindo também com a sociedade global, da qual, afinal, fazemos parte também. 

Para melhor relacionamento com o público, implantou-se o www.abntnet. com.br, para consultas e aquisições de normas

Voltar para os Artigos

     
© Copyright 2001, Instituto Brasil PNUMA. Todos os Direitos Reservados.