| Cláudio Fontes Nunes
- Gerente-executivo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde
da Petrobras
O Plano Estratégico da Petrobras expressa claramente
o compromisso da companhia com a realização
de seus negócios de forma social e ambientalmente responsável,
contribuindo para o desenvolvimento sustentável do
país.
A missão, visão, valores e políticas
corporativas incluídas nesse plano privilegiam o respeito
ao meio ambiente, o foco na responsabilidade social, a valorização
dos principais públicos de interesse (stakeholders)
e a transparência nas relações com os
mesmos, a excelência e liderança em questões
de saúde, segurança e preservação
do meio ambiente, a ética na condução
dos negócios, a busca da sustentabilidade de projetos,
empreendimentos e produtos em todo o seu ciclo de vida e a
consideração da eco-eficiência das operações.
A efetiva incorporação dessas diretrizes estratégicas
aos negócios está sendo assegurada pelo processo
de governança corporativa, traduzido por exemplo na
adequação da estrutura da companhia, com a criação
do Programa para Desenvolvimento Sustentável, da Gerência
Geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia e Desenvolvimento
Sustentável, em nosso Centro de Pesquisas, e da Gerência
Executiva de Conservação de Energia, Energia
Renovável e Suporte ao CONPET, na área de negócios
de Gás e Energia.
O monitoramento da evolução da Petrobras rumo
à sustentabilidade do seu negócio é realizado
essencialmente por auditorias internas e externas, tais como
as necessárias para assegurar a manutenção
das certificações já obtidas –
todas as nossas unidades operacionais no Brasil e três
das localizadas no exterior estão certificadas de acordo
com as normas ISO 14001, BS 8800 ou OHSAS 18001, em um total
de 39 certificações.
Diversos programas e projetos capazes de contribuir efetivamente
para o aperfeiçoamento do desempenho da Petrobras nas
dimensões ambiental e social estão sendo desenvolvidos,
tais como o Programa de Excelência em Gestão
Ambiental e Segurança Operacional - PEGASO e o Programa
de Integridade de Dutos. Esses programas, com investimentos
da ordem de R$ 3,8 bilhões no período de 2000
a 2002 e mais R$ 1,4 bilhão previsto para 2003, vêm
assegurando resultados como a eliminação, de
forma ambientalmente adequada, de todo o resíduo identificado
nas instalações da companhia por ocasião
da implantação do PEGASO, em abril de 2000,
a instalação de sistemas automatizados de supervisão
em 75% (cerca de 7.000 km) dos dutos prioritários e
a inspeção e reparo de mais de 5.000 km de dutos.
Foi estabelecido um novo padrão para gerenciamento
da integridade de dutos, inclusive com o envolvimento das
comunidades residentes ao longo dos mesmos. O diálogo
e a transparência no relacionamento com essas comunidades
faz com que as pessoas efetivamente se comprometam com a manutenção
de condições adequadas, sob os pontos de vista
ambiental e de segurança, para as faixas de passagem
dos dutos.
Envolvendo a execução de mais de 4.400 projetos,
os programas PEGASO e de Integridade de Dutos contemplam também
o gerenciamento de recursos hídricos e de efluentes
e o gerenciamento e redução de emissões.
Viabilizaram a instalação de nove centros de
Defesa Ambiental, equipados com todos os recursos humanos
e materiais necessários para resposta ágil e
eficaz no controle de vazamentos de óleo em qualquer
ponto do país ou nos demais países da América
do Sul onde a companhia desenvolve atividades.
Adicionalmente, a Petrobras mantém dois navios, totalmente
equipados para controle de vazamentos de óleo e combate
a incêndios, em operação permanente na
Baía de Guanabara e no litoral dos estados de Sergipe
e Alagoas. Uma terceira embarcação com características
semelhantes entrará em operação a partir
do próximo mês de julho na área do terminal
marítimo de São Sebastião, no Estado
de São Paulo.
Ainda visando a maximizar a sustentabilidade de seu negócio,
a companhia estabeleceu que US$ 25 milhões por ano
deverão ser investidos no desenvolvimento de fontes
de energia renováveis. Diversos projetos nessa área
estão em execução no Centro de Pesquisas
da Petrobras e em outros órgãos, envolvendo
biocombustíveis, biomassa, energia eólica, energia
solar e a aplicação de células a combustível.
A destacar também os esforços no sentido de
ampliar a participação na matriz energética
brasileira do gás natural, um combustível ecologicamente
mais “limpo”.
Os investimentos realizados e a mobilização
da companhia no sentido de que o negócio seja conduzido
de forma social e ambientalmente responsável têm
produzido muitos resultados positivos. Como exemplo, a expressiva
diminuição dos vazamentos de petróleo
e derivados para o meio ambiente, que em 2002 reduziram-se
ao volume mais baixo da história recente da Petrobras,
representando certamente um benchmark para a indústria
mundial do petróleo. Também a taxa de acidentes
com afastamento, computada para toda a força de trabalho
(empregados próprios e contratados), vem declinando
de forma significativa e consistente nos últimos anos,
sinalizando claramente para o alcance em curto prazo de níveis
de excelência internacional.
Uma clara evidência dessa melhoria na gestão
de Segurança, Meio Ambiente e Saúde foi a redução
em 46%, equivalentes a US$ 19 milhões, no custo de
renovação em 2003 da apólice de seguros
contra riscos operacionais da Petrobras, apesar das condições
reconhecidamente adversas do mercado segurador e do fato de
que a importância segurada passou de US$ 18 bilhões
para US$ 21 bilhões.
Em 2002, a companhia investiu ainda cerca de R$ 252 milhões
em mais de 1.100 projetos de patrocínio nas áreas
social, cultural e ambiental, tais como os Programas Petrobras
Social e Cultural e os Projetos TAMAR, POMAR, Baleia Jubarte,
Peixe-Boi e outros.
A Petrobras está se candidatando em 2003 à
inclusão no Dow Jones Sustainability Index –
DJSI, visando não somente à obtenção
de uma forma de reconhecimento internacional da gestão
sustentável de seu negócio mas também
ao acesso a referenciais de excelência que possam contribuir
para o aperfeiçoamento dessa gestão.
Dentro do conjunto de iniciativas relacionadas ao exercício
pela Petrobras de sua responsabilidade social, gostaríamos
de destacar a realização, durante 2002 e início
de 2003, do ciclo de cinco seminários agrupados no
programa “O Desenvolvimento Sustentável no Século
XXI”, que tinha como principais objetivos:
- Incrementar junto à sociedade em geral a visão
do compromisso da companhia no sentido de conduzir seu negócio
de forma social e ambientalmente responsável;
- Estimular o debate entre os mais diversos segmentos da
sociedade (empresariais, governamentais, acadêmicos,
organizações da sociedade civil, ONGs etc)
de temas ainda não adequadamente explorados porém
de grande relevância para a própria sociedade
em geral e para as empresas em particular;
- Por esse processo de debate, obter da sociedade feedback
valioso para orientar o planejamento e as atividades da
companhia;
Os quatro primeiros seminários foram realizados de
acordo com a seguinte programação:
- "A Responsabilidade Social das Empresas", São
Paulo/ SP, março de 2002;
- "Tecnologia e Sustentabilidade", Salvador/ BA,
maio de 2002;
- "Gestão Ambiental Sustentável",
Manaus/ AM, outubro de 2002;
- "Economia e Sustentabilidade", Porto Alegre/
RS, novembro de 2002.
O ciclo foi encerrado com a realização de um
seminário de consolidação na cidade do
Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 do último mês
de maio.
Cada um desses seminários reuniu palestrantes brasileiros,
selecionados dentre as mais expressivas figuras atuantes em
cada tema no país, e renomados palestrantes internacionais,
tais como Fritjof Capra, Paul Hawken, Paul de Backer, Hazel
Henderson, Christopher Flavin, Jeremy Rifkin, Karl-Henrik
Robèrt, Bernardo Kliksberg e Manfred Max-Neef.
Os eventos atingiram plenamente os objetivos pretendidos,
despertando amplo interesse junto à sociedade e instituições
das diversas regiões em que foram realizados, traduzido
pelo expressivo número de participantes, que atingiu
o total de 2.000 pessoas. A mídia também dedicou
espaços significativos em jornais, revistas, televisão,
rádio e na Internet para cobertura dos seminários
e divulgação de entrevistas com os palestrantes
mais ilustres.
As palestras realizadas e os debates travados nos cinco seminários
permitiram consolidar conceitos e princípios essenciais
para a sobrevivência das empresas no século que
ora está se iniciando:
- O cenário de negócios está mudando
de forma rápida e irreversível: a conscientização
da sociedade civil, estimulada por um fluxo de informações
cada vez mais ágil e abrangente, estabelece novas
exigências e expectativas com relação
à atuação das empresas, que passam
a ser encaradas como agentes capazes de atuar de forma decisiva
e direta na solução dos problemas ambientais
e sociais das comunidades e sociedades onde atuam;
- Espera-se que as empresas contribuam efetivamente para
reduzir os altos graus de desigualdade e exclusão
social que atualmente caracterizam grande parte das sociedades
humanas;
- O meio ambiente passa a ser visto, mais do que nunca,
como um patrimônio desta e das futuras gerações,
recurso básico para assegurar as condições
de vida e de progresso da sociedade; assim, espera-se que
as empresas utilizem os recursos naturais de forma sustentável
e contribuam para a recuperação dos sistemas
naturais degradados, mesmo que não por sua responsabilidade;
- A utilização de fontes de energia renováveis,
a reciclagem ou reutilização de recursos naturais,
a implantação de metodologias de produção
limpa, a maximização da eco-eficiência
dos processos e a consideração de impactos
ambientais ao longo de todo o ciclo de vida de produtos
e instalações são requisitos que devem
ser perseguidos por aquelas empresas que querem ser reconhecidas
pela excelência de seu desempenho ambiental;
- A condução dos negócios de acordo
com elevados princípios éticos; a manutenção
de um diálogo permanente com todas as partes interessadas,
incluindo acionistas, empregados, fornecedores, clientes,
comunidades, governos e a sociedade em geral; a consideração
dos interesses e demandas dessas partes no cerne da estratégia
de negócios e a transparência no relacionamento
com as mesmas são condições essenciais
para a sobrevivência das empresas no novo século.
DESTAQUES:
- Gestão responsável de SMS: Petrobras economiza
US$ 19 milhões na renovação de seguro
de riscos operacionais.
- Candidatura da Petrobras ao Dow Jones Sustainability Index:
busca de reconhecimento internacional da gestão sustentável
do negócio.
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