Competitividade, Meio Ambiente e
Responsabilidade Social Corporativa

Haroldo Mattos de Lemos

Uma das transformações mais significativas, em relação ao meio ambiente, que pudemos observar nos últimos trinta anos foi a mudança da atitude empresarial. Desde os anos 60, em virtude de vários desastres de poluição industrial e, particularmente, após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972, os países industrializados e os em industrialização passaram a adotar padrões de qualidade para o ar e para as águas, padrões de emissão para os efluentes industriais líquidos e gasosos e sistemas de licenciamento das atividades poluidoras, com o apoio de relatórios de avaliação de impacto ambiental.

Quando obrigadas a atender à legislação ambiental, naquela época, as indústrias não tinham outra alternativa a não ser adotar o "controle no final do processo" (end of the pipe), isto é, a instalação de caros e sofisticados filtros em sua chaminés e volumosas estações de tratamento dos resíduos líquidos. Este procedimento resultava em altos investimentos e aumento do custo final dos produtos e, conseqüentemente, a atitude empresarial em relação ao meio ambiente era predominantemente reativa, isto é, as indústrias só atendiam à legislação ambiental quando eram obrigadas pelos órgãos competentes.

A competitividade e o meio ambiente eram, então, totalmente antagônicos, e as relações entre as indústrias, os governos e as organizações não-governamentais ambientalistas eram de constante confrontação.

A partir dos anos 80, as indústrias entenderam que fazia mais sentido investir na modificação dos seus processos de produção, dando ênfase à minimização da geração de resíduos e sua reutilização ou reciclagem. Em 1989, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA lançou o Programa de Produção Mais Limpa, com base nas novas tecnologias industriais que permitiam às empresas, inclusive de médio e pequeno portes, fabricar o mesmo produto utilizando menos energia, menos água, menos matéria prima e, ainda, gerando menos resíduos para tratamento final. O Programa previa também, sempre que possível, a substituição de insumos tóxicos por outros não tóxicos ou menos tóxicos.

Ao adotarem tecnologias mais limpas, ou simplesmente um bom sistema de gestão ambiental (good house keeping), as indústrias além de melhorarem seu desempenho ambiental, reduziam seus custos de produção e tornavam-se mais competitivas.

A partir dos anos 90 as indústrias passaram a adotar códigos voluntários de conduta, como o "Responsible Care" (das empresas químicas), e as normas internacionais ISO 14000 (de avaliação ambiental de empresas e produtos), e desenvolveram as auditorias ambientais periódicas.

Hoje, portanto, o meio ambiente e a competitividade não são mais antagônicos, e a atitude empresarial com relação ao meio ambiente é mais pró-ativa. Muitas empresas apresentam um desempenho ambiental superior ao exigido pelas normas. Os vários exemplos disponíveis provam que, atualmente, cuidar do meio ambiente é um grande negócio.


A melhoria contínua do desempenho ambiental, como prevista na ISO 14000, e a responsabilidade social das empresas são, hoje, princípios essenciais do desenvolvimento industrial sustentável, que por sua vez é um requisito fundamental para a sobrevivência da humanidade com uma aceitável qualidade de vida.


Haroldo Mattos de Lemos é Presidente do Instituto Brasil PNUMA (Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Professor de Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia da UFRJ, Superintendente do Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental da ABNT (ISO 14000).

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