Antena nº 122
Bolsa Verde do Estado do Rio de Janeiro
A Secretaria de Estado do Ambi- ente, a Secretaria de Fazenda do Município do Rio e a BVRio firmaram, em dezembro, acordo de coopera- ção para desenvolver um mercado de ativos ambientais no estado. A assinatura do convênio selou a criação da primeira Bolsa Verde do país, com sede no Município do Rio de Janeiro e início de operação previsto para abril de 2012. Associação civil sem fins lucrativos, a BVRio tem como missão desenvolver um mercado de ativos ambientais para promover uma econo- mia verde no Estado do Rio de Janeiro.Primeiramente, será implantada, na capital, uma plataforma de negociação destinada a se tornar re- ferência no país para a comercia- lização de ativos ambientais. Esses ativos vão abranger não só os bens já existentes, como energia renová- vel ou biomassa, mas também os direitos de natureza regulatória rela- cionados ao cumprimento de obrigações ambientais, como recupe- ração de áreas florestais, tratamento de resíduos, emissão de gases ou de efluentes.
Além de prover uma plataforma de negociação, a BVRio também será responsável, em cooperação com au- toridades públicas, pela modelagem e criação dos ativos ambientais que possam ser negociados na Bolsa Verde. Inicialmente, a BVRio se con- centrará no desenvolvimento dos se- guintes ativos: créditos de carbono, créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara, créditos de repo- sição florestal relativos à Reserva Legal, créditos de reposição de su- pressão de vegetação e créditos de logística reversa e reciclagem.
20 anos de mudanças ambientais
As mudanças ambientais no planeta nos últimos 20 anos são des- taque de nova compilação de dados estatísticos lançada pelo Pnuma, em novembro. Parte da série GEO-5, o relatório Keeping Track of our Changing Environment: From Rio to Rio+20 traz um panorama de desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável rumo à reunião Rio+20. Sua versão completa será lançada em maio, um mês antes da conferência a ser realizada no Rio de Janeiro.Através de dados, gráficos e ima- gens de satélite, o relatório do Pnuma oferece uma ampla gama de informações sobre uma série de questões-chave: população, mudanças climáticas, energia, efici- ência no uso de recursos, florestas, segurança alimentar, uso do solo e água potável. E dá exemplos em relação a esses temas, como o derretimento de geleiras no Oceano Ártico e as novas tendências no uso de energia.
A falta de dados sólidos e siste- mas de monitoramento para medir progressos nessas áreas continua a ser um dos obstáculos para se alcançar os objetivos ambientais fixados pela comunidade internaci- onal. O estudo mostra as peças que faltam no nosso conhecimento so- bre o estado do ambiente, estimulando esforços globais para a coleta
Alternativas aos HFCs
O Pnuma divulgou estudo defen- dendo ações urgentes contra um gru- po de substâncias químicas – conhecidas como hidrofluorcarbonos (HFCs) – que vêm sendo muito utilizadas na produção de ares-condicionados, refrigeradores, equipamentos de combate a incêndios e espumas isolantes. Os HFCs estão substituindo gases, como os CFCs, que foram ou vêm sendo retirados do mercado devido ao seu efeito danoso sobre a camada de ozônio que protege o planeta dos perigosos raios ultravioletas do Sol.O relatório HFCs: A Critical Link in Protecting Climate and the Ozone Layer reconhece o sucesso do Protocolo de Montreal, tratado internacional que visa à substituição de produtos danosos à camada de ozônio. Mas o problema é que os HFCs se mostraram potentes contribuintes para o aumento do aquecimento global.
O relatório lista métodos e proces- sos alternativos para se evitar o uso dos HFCs, como a construção de prédios verdes, que reduzam ou mesmo evitem o uso de ares-condicionados, ou a utilização de substâncias como a amônia e o etano. Veja o relatório síntese do estudo em www.unep.org/dewa/Portals/67/pdf/ HFC_report.pdf.
Parque eólico da Petrobras
Com o início do funcionamento da usina Juriti, começou a operar comer- cialmente em Guamaré, município do Rio Grande do Norte, o Parque Eólico de Mangue Seco, da Petrobras. Com investimentos de R$ 424 milhões, o primeiro parque eólico da Petrobras é composto também pelas usinas Poti- guar, Cabugi e Mangue Seco, que já vinham operando. As quatro usinas são constituídas por 52 aerogeradores de 2 megawatts (MW) cada, fazendo com que o Parque Eólico de Mangue Seco possua a maior capacidade ins- talada no país com este tipo de aeroge- rador (104 MW), que é suficiente para suprir de energia elétrica uma popula- ção de 350 mil habitantes.Combate ao carbono negro
Um pacote ambiental com 16 me- didas para diminuir as emissões do chamado carbono negro – o maior componente presente na fuligem, no gás metano e no ozônio da troposfera – poderia, se fosse globalmente implementado, salvar cerca de 2,5 milhões de vidas por ano, evitar perdas anuais em colheitas agrícolas da ordem de 32 milhões de toneladas e cortar em 0,5ºC o aumento da temperatura de Terra por volta de 2040.Estudo do Pnuma estima que a execução dessas medidas ajudaria a manter o aumento da temperatura abaixo da meta de 2ºC, pelo menos até a metade deste século. No entanto, alerta que as ações propostas seriam complementares no combate ao agravamento do efeito estufa, porque não conseguiriam manter o aumento da temperatura nesse patamar até o final do século se os países não atuarem decisiva- mente no corte das emissões do principal gás-estufa, o dióxido de carbono (CO )
Financiado pelo governo da Suécia, o estudo estima que cerca da metade da redução das emissões de carbono negro e de gás metano pode ser alcançada com medidas que resultariam em economia de custos para as pessoas. É o caso do corte das emissões de carbono negro com a substituição de inefi- cientes fogões caseiros e dos tradicionais fornos de tijolos por peças mais eficientes, o que representaria menor uso de combustíveis. O estudo está disponível em www.unep.org/publications/ ebooks/SLCF/.
