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Antena nº 113

 

Painel da biodiversidade

Em encontro na cidade de Busan (Coréia do Sul), em junho, delegados de cerca de 90 países chegaram a importante acordo que reforçará a execução de políticas para a preservação da biodiversidade planetária: a constituição de um painel intergovernamental, de caráter científico, para se tentar diminuir o fosso existente entre os conhecimentos científicos sobre o tema e as necessárias ações que devem ser tomadas pelos governantes para se reverter o assustador quadro mundial de degradação das espécies.

O chamado Intergovernmental Science Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES), que deverá ter sua constituição formalizada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, em setembro, funcionará como uma espécie de IPCC, o painel intergovernamental que cuida de estudos e ações relacionados às mudanças climáticas.

O IPBES promoverá a elaboração de um qualificado – e claro – painel sobre o que há de mais atual e confiável no mundo científico sobre a biodiversidade e os serviços ambientais dos ecossistemas. Mas além de avaliar o estado, a importância e as tendências da biodiversidade e dos ecossistemas, enfatizará as opções políticas disponíveis e as respostas que podem ser dadas para se avançar na preservação planetária. Mais detalhes sobre o painel aprovado em www.ipbes.net.

Corredor Ecológico do Muriqui

Com apoio do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e a parceria da empresa MPX, o Instituto Bioatlântica deu partida para o projeto de constituição do Corredor Ecológico do Muriqui (CEM), entre os parques estaduais do Desengano e dos Três Picos, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Com cerca de 240 mil hectares, o CEM abrangerá áreas dos municípios de Macaé, Conceição de Macabu, Trajano de Morais, Santa Maria Madalena, Nova Friburgo e Bom Jardim.

O macaco Muriqui foi escolhido como espécie-bandeira desse futuro corredor ecológico porque está no topo da lista dos primatas mais ameaçados do planeta. Restam apenas cerca de 1.000 indivíduos na natureza, vivendo em fragmentos florestais isolados na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

A formação de um corredor ecológico é um projeto complexo, de fôlego. Corredores ecológicos são conexões verdes entre “manchas” florestais, por meio de ações de preservação e replantio de espécies nativas em áreas degradadas. Formam assim importantes “caminhos” que servem para o livre fluxo da vida selvagem.

O projeto de implantação do CEM prevê a execução de um programa regional de conservação e restauração florestal em larga escala, integrando esforços governamentais, particulares e ações de organizações locais. O apoio à formação de corredores florestais no Estado do Rio de Janeiro é uma das políticas ambientais prioritárias do Inea, capitaneada pelo seu diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas, André Ilha.

Lixo tecnológico em bom lugar

Foi aprovada, em Guarulhos (SP), lei de autoria do vereador Eduardo Kamei Yukisaki (PSDB) que prevê destinação final adequada para o lixo tecnológico. Produtos usados como monitores, televisores, pilhas e baterias de aparelhos celulares, que contenham metais pesados ou qualquer outra substância tóxica, deverão ser submetidos a processos de reciclagem, reaproveitamento ou descarte em locais ambientalmente apropriados.

Relatório do Pnuma, divulgado em fevereiro, alertou sobre o crescente acúmulo em países de resíduos tecnológicos, que poderão resultar – se não houver solução adequada para o problema – em graves consequências para o meio ambiente e a saúde pública. O vereador desse município da Grande São Paulo cuidou dessa questão ao conseguir aprovar a lei, que prevê ainda que seja definida, com fabricantes e importadores de lixo tecnológico, a forma de coleta dos aparelhos usados junto aos comerciantes e às assistências técnicas, facilitando a entrega do refugo pelos consumidores..

Sustentabilidade na Alerj

Com a participação do presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos, a Câmara Setorial da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) desenvolveu projeto de introduzir na vida parlamentar a discussão sobre a importância de iniciativas de desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, foi elaborado documento para subsidiar os deputados estaduais na adoção de princípios de sustentabilidade quando da elaboração de projetos de lei.

Uma cópia foi encaminhada a cada deputado, contendo princípios norteadores para o desenvolvimento sustentável, como garantir a disponibilidade de recursos naturais para se produzir bens e serviços e incentivar a redução das desigualdades sociais. O relatório sugere leis que deveriam ser aprovadas, em setores como melhoria da educação e planejamento familiar, uma menor taxação para quem quiser criar emprego e renda e uma maior para aqueles que usem recursos naturais escassos e gerem resíduos e poluição.

Embaixador verde de Hollywood

A exemplo da modelo brasileira Gisele Bündchen, no ano passado, o prestigiado ator de Hollywood Don Cheadle – que estrelou o filme Hotel Ruanda (2004) e atualmente está nos cinemas em o Homem de Ferro II – vai colocar sua fama a serviço da causa ambiental. O ator participou da última comemoração da ONU do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, no parque nacional Volcanoes, em Ruanda (África), quando foi anunciado o seu mandato ecológico de embaixador da Boa Vontade.

Em seu discurso, Cheadle se disse surpreso com o fato de que o meio ambiente não está no topo da agenda dos países. “O que é mais importante do que um ar limpo e um planeta saudável?”, questionou. O ator espera que sua indicação sirva como uma oportunidade para motivar pessoas ao redor do mundo a tomar atitudes de enfrentamento dos desafios ambientais.

Na mesma cerimônia, promovida pelo Pnuma, foi anunciada a execução de projeto de instalação de painéis de energia solar em escolas infantis e em casas de aldeias em Ruanda, além da doação de US$ 85 mil para programa no país de conservação de gorilas, que estão ameaçados de extinção.