Estante - 110
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Mais energia e menos efeito estufa: O desafio do século XXI
o aumento do consumo de energia.
Essa característica manteve-se ao longo do desenvolvimento das civilizações. Mais progresso tornou-se sinônimo de maior consumo de energia. Hoje, a produção agropecuária que fornece a enorme quantidade de alimentos de que os bilhões de seres humanos necessitam, as indústrias que produzem os inúmeros itens necessários ao nosso conforto e qualidade de vida, os sistemas de transporte que asseguram a mobilidade de bens e pessoas, a cultura, o lazer dependem da disponibilidade de grandes quantidades de energia.
Não surpreende, portanto, que todas as projeções apontem para uma continuidade no crescimento da demanda mundial por energia. A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que essa demanda aumentará cerca de 1,5% ao ano no período de 2007 a 2030, acumulando um crescimento da ordem de 40% nesse período.
A referida correlação entre crescimento, qualidade de vida e consumo de energia nos permite também entender por que, ainda segundo a IEA, a demanda energética nos países em desenvolvimento deverá crescer 2,3% ao ano no período mencionado, contra apenas 0,2% ao ano nos países desenvolvidos.
Ao longo do Século XX, os combustíveis de origem fóssil – carvão, petróleo e gás natural – se tornaram responsáveis pelo suprimento da maior parte da energia consumida no mundo. Em 2007, a participação desses combustíveis ultrapassou 81%.
Aperfeiçoamentos tecnológicos e avanços na legislação permitiram minimizar os impactos ambientais ao longo do ciclo de vida dos combustíveis fósseis; aproximava-se o momento em que as chaminés e canos de descarga exalariam não mais do que vapor d'água e um gás incolor, inodoro e praticamente inerte: o dióxido de carbono – CO2.
No último quarto do século passado, no entanto, começaram a se acumular evidências de que a temperatura média da superfície da Terra estava aumentando, a uma taxa mais rápida do que a previsível com base na evolução natural do planeta. Estudos e pesquisas começavam a apontar com crescente grau de certeza que tal aquecimento se correlacionava a uma intensificação do fenômeno natural chamado efeito estufa. E que tal intensificação se devia ao aumento da concentração na atmosfera dos chamados gases de efeito estufa. E que dentre eles se destacava o CO2, justamente aquele gás incolor, inodoro e praticamente inerte...
À medida que se evidenciava ser o aquecimento da superfície do planeta capaz de provocar de fato uma mudança global do clima, com potencial de impactar as atividades humanas, crescia a pressão sobre organismos internacionais, governos e empresas no sentido de que fossem adotadas medidas capazes de impedir que a mudança climática atingisse amplitude capaz de afetar catastroficamente
o meio ambiente, a economia e as condições de vida das sociedades humanas.
Tal pressão se exerceu com mais intensidade sobre a indústria de energia. Afinal, as emissões de gases de efeito estufa por essa indústria representaram mais de 63% das emissões totais em 2005 e poderiam vir a representar cerca de 71% do total em 2030.
Existe hoje um quase consenso quanto à necessidade de se limitar a 2ºC o aumento médio da temperatura global neste século, de modo a reduzir a probabilidade de ocorrência de fenômenos climáticos desastrosos. Se não forem, no entanto, adotadas medidas mais eficazes para a mudança do perfil atual de emissão de gases de efeito estufa, é projetado um aumento de temperatura da ordem de 6ºC, com danos extensivos aos ecossistemas, secas e inundações, elevação acentuada do nível do mar e proliferação de doenças, impactando fortemente a economia e a sociedade.
Diversos cenários de emissão de gases de efeito estufa capazes de limitar o aquecimento global estão sendo avaliados. Um dos que vêm sendo objeto de maior atenção é o chamado Cenário 450, o qual propõe que a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera seja estabilizada em 450 partes por milhão (ppm) de CO2 equivalente, em uma perspectiva de longo prazo. Estima-se que tal concentração ofereça 50% de probabilidade de que o aumento da temperatura média global fique limitado a 2ºC.
O Cenário 450 prevê redução substancial nas emissões de CO2 associadas à indústria de energia. Essas emissões deverão atingir um pico da ordem de 30,9 gigatoneladas por volta de 2020 e declinar para 26,4 gigatoneladas em 2030 (uma gigatonelada corresponde a um bilhão de toneladas). A dimensão do esforço necessário na área de energia pode ser mais bem avaliada considerando que, se nenhuma medida adicional for adotada para alterar o atual padrão de consumo, as emissões de CO2 relacionadas à energia deverão atingir 34,5 e 40,2 gigatoneladas em 2020 e 2030, respectivamente.
A implementação do Cenário 450 exige que os países desenvolvidos (membros da OCDE e outros países da União Européia) assumam desde já compromissos de redução de emissões com foco em 2020. África do Sul, Brasil, China, Rússia e países do Oriente Médio deverão adotar compromissos de redução a partir de 2020, fazendo com que as emissões de CO2 desse grupo de países declinem de um pico de 12,6 gigatoneladas em 2020 para 11,1 gigatoneladas em 2030. Ainda assim, o total de emissões em 2030 será superior em cerca de 14% ao registrado em 2007, assegurando a esses países um espaço para promoção do desenvolvimento econômico e da melhoria da qualidade de vida de suas populações.
O alcance do objetivo de se estabilizar a concentração de CO2 na atmosfera em 450 ppm demandará diversos tipos de ações na área de energia, com a mobilização de todas as fontes energéticas capazes de promover redução da intensidade de emissão de gases de efeito estufa. A maior parcela (cerca de 52%) do total de 13,8 gigatoneladas de CO2, cuja emissão deverá ser evitada em 2030, corresponde à melhoria da eficiência energética de prédios, veículos, eletrodomésticos e de processos e equipamentos industriais. Outros 20% estarão associados ao incremento do uso de fontes renováveis, 10% à maior utilização da energia nuclear e mais 10% à aplicação de tecnologias de captura e armazenamento de carbono. O incremento do uso de biocombustíveis responderá por 3% da redução necessária.
As iniciativas para a materialização do Cenário 450 pressupõem um crescimento expressivo da participação das fontes menos emissoras de CO2 na matriz energética mundial. Em 2030, tomando como referência uma projeção baseada nos atuais padrões de consumo, a IEA estima que a demanda por energia proveniente de centrais nucleares deverá ser 49% maior, enquanto as hidrelétricas fornecerão 21% a mais de energia. A quantidade de energia proveniente de biomassa e resíduos e a suprida por outras fontes renováveis terão acréscimos de 22% e 95%, respectivamente.
Em contrapartida, a quantidade de energia suprida pelos combustíveis fósseis sofrerá, nas mesmas bases, redução significativa: -47% no caso do carvão,-15% para o petróleo e -17% no que diz respeito ao gás natural. É interessante observar, no entanto, que, apesar dessa expressiva redução, os combustíveis fósseis manterão ainda uma posição predominante na matriz energética mundial. Mesmo no Cenário 450, os combustíveis fósseis serão responsáveis pelo suprimento de mais de 68% da energia consumida no mundo em 2030, aspecto que mais uma vez ratifica a importância desses energéticos para o desenvolvimento econômico e social.
A adoção do Cenário 450 ou de qualquer outro que permita limitar o aquecimento global a níveis seguros exigirá um alto nível de articulação internacional e o engajamento de toda a sociedade, que provavelmente se verá em face da necessidade, sempre penosa, de mudar hábitos de consumo e estilos de vida. A mudança do clima é um problema global, mas que somente será resolvido por ações e iniciativas a serem implementadas em todos os países e regiões. Esse engajamento global, capaz de levar em conta as diferentes necessidades, possibilidades e interesses de cada uma das partes envolvidas, está se constituindo em um desafio novo para a humanidade. Mas quem sabe se revele também como uma oportunidade de estabelecermos uma forma mais madura e cooperativa de relacionamento entre os povos.
Luis Cesar Stano é Gerente de Desempenho em Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras
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Agenda - 110
UniCedae 2010/Exposição de Tecnologia e Equipamentos para Saneamento
De 14 a 16 de abril, no Rio de Janeiro (RJ).
Realização: Aseac (Associação dos Empregados de Nível Universitário da Cedae).
Informações pelo tel. (21) 3035-3100 e (11) 3044-4410 ou pelo email unicedae@fagga.com.br.
Fiema (Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente)
De 27 a 30 de abril,em Bento Gonçalves (RS).
Realização: Proamb.
Informações em www.fiema.com.br.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Rosto Humano às Mudanças Climáticas
Por Thalif Deen
18/11/2009 (IPS) – Relatório da ONU sobre às mudanças climáticas aborda uma nova perspectiva humana em relação a um debate que se tem centrado, em especial, na eficiência energética e nas emissões industriais de carbono.
As mudanças climáticas são muito mais do que emissões de gases que provocam o efeito estufa, afirma o estudo apresentado pelo Fundo de População da Organização das Nações Unidas (UNFPA). Também é a dinâmica demográfica, a pobreza e a igualdade de gênero. “A medida que a velocidade do crescimento demográfico, das economias e do consumo superam a capacidade de ajuste da Terra, às mudanças climáticas podem se tornar muito mais extremas, e possivelmente, catastróficas”, adverte o “Estado da População Mundial 2009”.
A diretora executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid, destacou que o dano ambiental é “um dos riscos mais injustos de nosso tempo”. “O rastro de carbono de milhões de pessoas pobres na Terra é 3% do total mundial, apesar de serem os mais pobres, especialmente as mulheres, que suportarão a carga desproporcionada das mudanças climáticas”, disse.
Em um contexto de aumento da população mundial – que se aproxima de 7 milhões de pessoas – cada vez há mais evidências de que às mudanças climáticas são uma consequência da atividade humana.
“A influência da atividade humana sobre o clima é complexa; diz respeito ao que consumimos, ao tipo de energia que produzimos e utilizamos, se vivemos na cidade ou no campo, em um país rico ou pobre, se somos velhos ou jovens, ao que comemos, inclusive a medida que os homens e as mulheres disfrutam da igualdade de direitos e oportunidades”, afirma o relatório.
O estudo foi difundido pouco antes da 15 Conferência das Partes (COP15) que ocorrerá entre os dias 7 a 18 de dezembro em Copenhague. Um acordo internacional que ajude a reduzir as emissões de gases do efeito estufa e que aproveite a perspectiva e a criatividade de mulheres e homens servirá para lançar uma estratégia mundial efetiva à longo prazo para abordar o aquecimento global.
Mas durante a conferência de líderes mundiais realizada na semana passada em Singapura, foi decidido apostar somente em um acordo “politicamente vinculante” em Copenhague, e se esquecer do tratado legalmente vinculante - talvez até uma conferência futura no próximo ano que ocorrerá no México.
Consultado sobre o cenário político, Richard Kollodge, editor do relatório do UNFPA, disse a IPS:
“Mesmo que a conferência de Copenhague tenha ou não como resultado um tratado ratificante sobre às mudaças climáticas, o processo de se trabalhar para um acordo global que estabilize o clima e afronte os impactos continuarão por muito tempo”. A UNFPA seguirá promovendo o fortalecimento das mulheres, através da educação das meninas e um maior acesso a saúde reprodutiva e planificação familiar voluntária, disse.
Kollodge também afirmou que este relatório terá relevância para outros temas, além de Copenhague. Ao dirigir-se aos presentes durante a última conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, em setembro, a presidenta finlandesa Tarja Halonen se focou na perspectiva de gênero. “Sabemos que as mudanças climáticas afetará seriamente as regiões mais pobres e aos grupos humanos mais frágeis”.
Por volta de 70% dos pobres do mundo são mulheres, e elas são as que mais sofrerão os efeitos das mudanças climáticas, disse. “Ao ajudar as mulheres a sobreviver no cotidiano, podemos promover os objetivos gerais do desenvolvimento sustentável”. Halonen também disse que as mulheres serão poderosas agentes na mitiação das mudanças climáticas. “Necessitamos garantir a participação plena e ativa das mulheres, tanto na redação como na implementação do novo acordo”, disse. Obaid afirmou que o estudo da UNFPA mostra que as mulheres tem o poder de se mobilizarem contra o aquecimento global, mas esse potencial pode ser eficaz somente através de políticas que garantam poderes a elas.
Ampliando o debate, o relatório aponta que as mudanças climáticas dizem respeito aos seres humanos. “As pessoas causam às mudanças climáticas, mas também são afetadas por elas. E elas devem se adaptar ao aquecimento global; e somente nós temos o poder de mitigar seus efeitos”, argumenta. A influência das mudanças climáticas sobre as pessoas é descrita como “complexa”, já que aumenta as migrações, destrói os meios de sustento, altera as economias, impossibilita o desenvolvimento e exacerba as desigualdades entre os sexos.
O relatório enumera vários riscos relativos às mudanças climáticas. Para 2075, entre 3000 e 7000 milhões de pessoas poderão enfrentar uma escassez crônica de água, e é possível que um em cada seis países sofram uma crise alimentar devido a secas severas. Além disso, 30% das espécies de plantas e animais podem vir a se tornarem exitintas se o aumento da temperatura global superar os 2,5 graus. Entretanto, segundo as estimativas atuais, a temperatura mundial média poderá aumentar em 6,4 graus já no final deste século. Já o nível do mar poderá se elevar em até 43 centímetros, ameaçando a existência dos pequenos estados insulares.
Fonte: http://www.ipsnoticias.net/
*Tradução livre feita por Flavia Speiski dos Santos, estagiária do Instituto Brasil PNUMA, a partir de artigo retirado do site do Escritório Regional do PNUMA para a América Latina.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
5º Seminário Nacional de Gerenciamento de Projetos no Terceiro Setor
Neste evento serão abordados temas relacionados a conceitos e práticas utilizados para melhorar o desempenho dos projetos e a eficiência da gestão nas organizações do terceiro setor.
O público-alvo compreende dirigentes, gerentes, colaboradores e patrocinadores das organizações do terceiro setor, profissionais da área de gerenciamento de projetos e a comunidade em geral.
Data: 16 de novembro de 2009
Horário: das 9h às 17:30h
Local: Av. Presidente Vargas, 730 - Rio de Janeiro/RJ - Prédio do Banco Central - Metrô Uruguaiana
Inscrições: por meio do e-mail seminariogp3s@ pmirio.org. br, informando os seguintes dados:
- :Nome do participante
- :E-mail para confirmação
- :Telefone
- : CPF (com a finalidade de identificação para acesso ao prédio)
- : Organização/Empresa:Cidade/UF
- :O recebimento de certificados está condicionado à doação de 1 quilo de alimento não perecível no dia do evento.
Contamos com a sua presença e colaboração na divulgação.
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